A (IR)RESPONSABILIDADE DE INFORMAR
São horários dedicados, geralmente, a fazer sensacionalismo de
duvidosa qualidade, ou melhor, de qualidade nenhuma, capitaneados por criaturas
engravatadas que, ao proferir as suas mensagens, não respeitam o vernáculo e,
pior, utilizam-se de jargões baratos para fazer a moldura de imagens chocantes,
tudo com o simples objetivo de atrair uma audiência cujo interesse é apenas
observar a desgraça alheia.
Dia desses, ultrapassei a barreira da ojeriza que nutro por
esse tipo de programação e me dei ao trabalho de assistir a um desses excrementos
televisivos, no caso, da rede local, (e olha que não são poucos...). Na
verdade, foi difícil escolher o pior entre os piores. Bem, tudo apenas para
constatar o que já sabia: ninguém deve perder o seu tempo para dar palco “àquilo”.
A crítica aqui é, também, para as emissoras de TV que devem ter
o mínimo de responsabilidade com a sua programação e oferecer conteúdo de
qualidade para os telespectadores. Não se está querendo fechar os olhos para a
realidade dos fatos, sobretudo na área policial, mas apenas lembrar que o
intuito é informar, advertir sobre os perigos a que os cidadãos podem estar
expostos a partir da criminalidade e não espirrar sangue na tela, apenas para
atrair e formar pessoas de avaliação crítica duvidosa e vulnerável.
Outrossim, muitos direitos individuais dos entrevistados são
desrespeitados a partir da realização das matérias. Em algumas entrevistas
feitas com os indiciados, estes, no mais das vezes, são expostos ao ridículo
para o simples deleite dos telespectadores e felicidade (comercial) das
referidas emissoras. VERGONHOSO!
De ressaltar que a onda de supervalorização do chamado “gosto popular”
não deve servir de desculpa para atuações irresponsáveis e descuidadas no
trabalho desempenhado, sobretudo por aqueles que trazem em suas mãos a nobre
missão de informar.

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