sábado, 5 de novembro de 2011

Feliz por não ficar triste



Há pouco tempo, recebi a notícia de que uma amiga estava passando por um momento muito complicado que parece desembocar, em definitivo, para o fim de um relacionamento de anos. Uma decisão difícil, não do ponto de vista pragmático e racional, mas do ponto de vista emocional! Essa hostória de "aconteceu com uma amiga" pode até parecer um clichê, mas não estou falando de mim, acreditem. Não que eu esteja imune a esse tipo de dor (acho que ninguém está), mas foi a dor dela que me comoveu profundamente.

Trata-se de alguém que, mesmo sem querer, ama demais e talvez em vão[1]. Nessas horas, falar em “se valorizar”, “gostar primeiro de si”, etc..., etc..., etc..., são só palavras sem raiz diante de um sentimento que não se escolhe e é muito difícil de dominar.

É lógico que, se fosse possível, ninguém escolheria sofrer, mas a questão é que nem sempre é assim que funciona. Nós não somos máquinas viventes, cujas emoções são controladas por um botão de liga e desliga (pelo menos não as pessoas que são verdadeiras). Sobreviver assim, de forma fria e superficial, a partir da exploração do vazio, pode ser fácil para esses aloprados que não sabem o que é gostar de verdade, mas não para quem compreende que os sentimentos de alguém são o bem mais importante que se pode ter.     

Pensando numa forma de deixá-la protegida, a partir de um distanciamento seguro e necessário em relação a tudo o que fere, descobri essas palavras assinadas por A. Sophia  e decidi compartilhar com vocês, mas não antes de encaminhar para ela, claro.

NÃO PERTURBE, POR FAVOR!...

A porta está fechada.
Significa que você não pode entrar...
Significa que eu preciso de paz, a santa paz que só encontro com a distância de tudo o que diga respeito a você, ou melhor, de tudo que diga respeito ao que espero de você...
Significa que decidi ficar longe de confusão, longe de fantasias e longe de ilusões...
Significa proteção para nós, principalmente para você, que ficará do outro lado do abismo cavado...
A porta está fechada e atrás dela estão, a salvo, todos os segredos, todas as expectativas e todos os sentimentos que sobrevivem à realidade de estarmos juntos...
Eu não quero abrir a porta, tenho medo de não encontrar nada no meio dos escombros...
Tenho medo de quebrar, sem querer, algo valioso que ainda exista, muito embora eu já nem saiba o valor de nada...
A porta está fechada para mim também...
A única dúvida que tenho, agora, é se devo jogar a chave fora...

A. Sophia.



[1] Os filhos que advieram do relacionamento parecem ser o único motivo para que ele não tenha sido tempo totalmente perdido.

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